Crowdsourcing ou Equipe Interna de Testadores?

Seria um engano apresentar uma resposta binária para essa pergunta, uma vez que ela pode colocar à prova os valores de um ou de outro modelo de testes. O principal ponto que deve ser explorado é que são modelos de trabalho complementares, ou seja, um não exclui o outro.

Sendo assim, a pergunta mais adequada seria:

Quando trabalhar com crowdsourcing ou uma equipe interna de testes especializada?

Devemos identificar qual o momento certo para utilizar um ou outro modelo. Para isto, o gestor tem de considerar os objetivos que quer alcançar com os testes. Abaixo apresentamos algumas dicas que podem apoiar na escolha de um ou outro modelo:

  1. É fundamental a cobertura dos testes?

    Então escolha trabalhar com equipes internas de testadores especializados. Essas equipes estão dentro do projeto e conhecem (ou deveriam conhecer) profundamente o projeto do qual estão participando. Esses analistas possuem condições para definir quando parar os testes tendo como base a cobertura mais adequada para garantir se o sistema está ou não bem testado.

  2. Conhecimento do negócio é importante?

    Não tenha dúvida, uma equipe interna de testes especializada é a solução mais adequada. Testadores envolvidos diretamente no projeto conseguem entender as regras de negócio envolvidas com muito mais facilidade. Pessoas participando de projetos de testes via Internet não têm acesso a toda informação necessária para entender plenamente todos os conceitos envolvidos nos sistemas testados.

  3. Como os usuários reagirão efetivamente ao utilizarem a aplicação?

    Nesse contexto, utilizar mão-de-obra disponível na Internet no modelo crowdsourcing é a saída mais interessante. Muito rapidamente o gestor conseguirá obter um feedback próximo da realidade de utilização do sistema em desenvolvimento e poderá fazer os ajustes necessários para atender às necessidades reais do mercado.

  4. É fundamental a validação em diversas plataformas?

    Quando utilizamos o modelo crowdsourcing para testes, temos acesso a uma grande diversidade de plataformas, sejam sistemas operacionais, navegadores web ou dispositivos móveis. Não é necessário grande investimento para aquisição e/ou aluguel de equipamentos para validar aplicações.

  5. O prazo para realização dos testes está muito apertado?

    Crowdsourcing tende a ser um caminho mais eficiente. Nesse modelo, é possível submeter uma aplicação para dezenas ou até centenas de testadores simultaneamente. Equipes de testes especializadas normalmente são limitadas em número de profissionais. Existem empresas que possuem dezenas de testadores, mas, mesmo nesses casos, aumentar a vazão temporariamente de forma significativa não é possível devido ao esforço adicional de contratação de novos profissionais.

  6. É exigido um nível mínimo de documentação de testes?

    Neste contexto, a equipe de testadores especializados deve ser considerada. Profissionais especializados possuem um domínio maior das técnicas necessárias para geração de documentação de testes que sejam verdadeiramente úteis e reutilizáveis. Existem testadores trabalhando no modelo de crowdsourcing que possuem tal competência, mas essa não é uma exigência básica desse modelo. Esperar que todos os participantes espalhados por uma região, ou até mesmo pelo Brasil, trabalhem com a mesma capacidade de documentação seguindo modelos bem definidos pode ser um erro fatal em um projeto de testes.

  7. Sigilo do projeto é importante?

    Ao utilizar o modelo crowdsourcing, é impossível garantir sigilo. Neste caso, equipe de testadores é o mais adequado. Aqui é possível exigir que todos os profissionais envolvidos diretamente no projeto assinem um termo de confidencialidade. No modelo crowdsourcing é impraticável fazer com que os envolvidos assinem esses termos. Nesse modelo, temos pessoas sem qualquer vinculo formal com a empresa que desenvolve o projeto.

Essas são apenas algumas orientações. É importante ressaltar que mais de uma das situações destacadas podem ocorrer em um único projeto, permitindo a utilização dos dois modelos de forma complementar.

Um exemplo seria o desenvolvimento de um portal de compras, onde as regras de negócio de faturamento devem ser testadas por equipes internas de testes especializadas. Ao mesmo tempo, a parte externa do portal deve ser validada para uma grande massa de usuários finais de forma a obter rapidamente um feedback com relação à qualidade da aplicação e, adicionalmente, testar o funcionamento em diversas plataformas.

Para entender melhor todas as características do teste que devem ser consideradas e qual o modelo mais adequado, veja os slides da palestra do Crowdtest no DevDay 2012.

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