Falhas em software provocaram prejuízos de US$ 1.1 trilhão em 2016

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Quando ocorre um bug no software a caça por um culpado começa

As conseqüências em decorrência de uma falha ou uma violação em um software podem ser enormes. Elas vão além de um sentimento de vergonha, principalmente quando o impacto causa prejuízos financeiros e compromete a reputação da empresa junto ao mercado.

Uma certeza e um problema que a maioria das empresas enfrentam hoje em dia é que ao menos um bug será encontrado durante o lançamento de um software no mercado. Mesmo sabendo que nem todos os erros podem causar grandes impactos, elas sabem que detectar um bug antes do cliente é fundamental.

Um estudo recente sobre falhas de software feito pela Tricentis, uma empresa de desenvolvimento de software austríaca, revelou o quanto de prejuízo falhas ou bugs podem causar. De acordo com o relatório interno da Tricentis chamado Software Fail Watch: 2016, cerca de 4,4 bilhões de pessoas foram afetadas por falhas de software no ano passado, gerando perdas de quase US$ 1,1 trilhão em ativos.

Para se ter um ideia do impacto causado, essa quantidade de dinheiro equivale a 17.701 jatos Gulf Stream G-550 avaliados em US$ 60 milhões cada. E a quantidade total de tempo perdida para a identificação da falha no software foi igualmente surpreendente - 315 anos, seis meses, duas semanas, seis dias, 16 horas e 26 minutos - em apenas um ano.

Os números podem ser surpreendentes, mas o estudo apresenta apenas uma parte do prejuízo acumulado. Uma falha de software não é um incidente isolado, mas apresenta impactos em todo o ecossistema, podendo afetar outras pessoas de diferentes formas.

Há muito tempo o software era considerado uma facilidade; "não era nada mais do que uma conveniência de se usar uma calculadora em vez de realizar contas com as mãos", disse o relatório. Esses dias já não existem mais, e hoje em dia um software corporativo tem, me média, pelo menos outros 52 sistemas interligados. A realidade relacionada às pessoas é ainda maior pois, como diz o ditado, "nenhum homem é uma ilha", e as pontes existentes entre nós e o mundo são cada vez mais construídas com o uso de softwares.

Um software pode falhar em qualquer momento e em qualquer lugar

Para encontrar o número total de pessoas e empresas afetadas por falhas de software em 2016, uma equipe criou uma conta do Google que realizou uma busca por notícias que continham palavras-chave como "falha de software" ou "bug de software". No total, a equipe encontrou 1.159 artigos que detalharam 548 softwares, classificados por tipos de falha, com 363 companhias impactadas.

Por exemplo, um recall de um carro ou um sistema offline foi considerado como uma falha de software. A pesquisa observou ainda se as falhas ocorreram no setor público ou privado. Estes dados foram categorizados em seis setores: entretenimento, finanças, varejo, serviços, transporte e governo.

Três tipos diferentes de software foram colocados sob análise - embarcado, on-premise, cloud computing e aplicativos mobile. Para o software embarcado foram relacionados todos os aplicativos pré-instalados em um dispositivo ou hardware. No on-premise, considerou-se que o software tenha sido instalado em um local específico. E para as soluções cloud e mobile, considerou-se que o software tenha sido baseado em arquitetura web ou aplicativo.

A equipe definiu a identificação de falhas nos softwares da seguinte maneira:

  • Falhas de Software: Quando um software não funciona como deveria

  • Falha de usabilidade: Uma falha de design que diminuiu a usabilidade do produto ou aplicativo

  • Vulnerabilidade de segurança: Uma falha que pode ser explorada por hackers

O tipo mais comum encontrado foram as falhas de software - a equipe descobriu 432 deles. As vulnerabilidades de segurança foram menos comuns - 78 - e falhas de usabilidade totalizaram 38 instâncias.

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Fonte: Tricentis, Tipos de Falhas por Mês

Teste de software reduz os danos colaterais

Cerca de 40% das empresas afetadas por falhas de software no último ano são de capital aberto. Algumas dessas falhas foram bastante divulgadas pela imprensa, enquanto outras deixaram as empresas envolvidas em situações embaraçosas.

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Fonte: Tricentis, o software falha pela indústria 2016

O governo foi o setor que teve o menor impacto, segundo o relatório.

Em média, o software utilizado pelo governo falha cerca de 15 vezes por mês. A maioria das falhas encontradas está relacionada ao software administrativo; falhas em sistemas ligados à justiça ficam em segundo lugar. A razão para isso é que o setor público depende de desenvolvedores contratados e utiliza poucos recursos internos, o que reduz significativamente os custos relacionados aos testes. O custo médio de uma falha encontrada em um software utilizado pelo governo é de pouco mais de US$ 5,7 milhões considerando e uma parte significativa desse valor é paga através dos impostos.

Varejo e transporte não são muito melhores - ambas as categorias da indústria registram uma média de nove falhas de software por mês. As principais falhas de software no varejo estavam ligadas à vulnerabilidades de segurança, especialmente relacionadas à Internet das Coisas (IoT). Por exemplo, o ataque de negação de serviço (DDoS) ocorrido na rede Dyn foi realizado através de dispositivos conectáveis, como câmeras CCTV e DVRs.

No indústria dos transporte, as falhas de software estavam relacionadas aos ativos. O estudo disse que em 2016 cerca de 21 milhões de carros foram chamados para realizar recall e 8,8 mil aviões ficaram em terra para manutenção. Um total de 22,7 milhões de pessoas foram impactadas por falhas de software na indústria de transporte.

Falhas de software no setor financeiro normalmente são raras ou pouco divulgadas nos meios de comunicação. O maior impacto financeiro registrado foi devido a uma falha de software que custou cerca US$ 521 milhões, segundo o relatório.

O crescimento ano a ano em falhas de software também foi analisado. Em 2015, houve US$ 4,2 bilhões em prejuízos devido a uma falha de software, em comparação com os US$ 1,1 trilhões registrados em 2016. Por alguma razão bizarra, julho, agosto e setembro foram os meses em que mais ocorreram falhas em softwares, o que poderia estar relacionado com o final das férias de verão no Hemisfério Norte.

Deus ajuda quem cedo madruga e antecipa os erros

Com os softwares sendo cada vez mais utilizados mundo afora, a probabilidade é que esses níveis de falha aumentem nos próximos anos.

A demanda por novas tecnologias e a oferta por novos produtos fará com que cada vez mais bugs sejam encontrados. A realidade é que nenhum software é livre de falhas, mas as empresas podem reduzir os danos em potencial, garantindo que antes de chegar ao mercado os softwares serão testados ao máximo.

E depois é cruzar os dedos para que nenhum bug seja encontrado, de modo a evitar constrangimentos, manchetes de jornal ou coisa pior.

Uma adaptação do artigo: $1.1 Trillion In Assets Were Impacted By Software Failures In 2016

 

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